Pensamos em um evento onde possamos discutir as Matriarcas e as Dissidências Europeias, Latino-americanas e Brasileiras, um regaste que trará as pioneiras que ampliaram o horizonte clínico inicial, seja na Clínica com Crianças, seja na formulação de teorias psicanalíticas seminais. Objetivamos trazer para o debate: Emma Eckstein, a primeira psicanalista mulher analisada por Sigmund Freud (apresentada por ele no famoso “Sonho de Irma”); Margarete Hilferding, a primeira psicanalista a falar sobre o amor materno na psicanálise e a primeira mulher a entrar da Sociedade Psicanalítica de Viena em 2010; Sabina Spielrein, uma das figuras mais brilhantes e injustiçadas da história da psicanálise, cuja trajetória é marcada pela antecipação teórica do conceito de pulsão de morte, a importância da agressividade e o trabalho com psicanálise infantil, tornando-se a segunda mulher a participar da Sociedade Psicanalítica de Viena; Hermine von Hug-Hellmuth, a terceira mulher a entrar na Sociedade Psicanalítica de Viena em 2011, e a primeira psicanalista a trabalhar com a técnica do brincar na análise de crianças; Lou Andreas-Salomé, uma das figuras intelectuais e psicanalista russa mais fascinantes e magnéticas da Europa no final do século XIX e início do XX; Marie Bonaparte, Princesa da Grécia e da Dinamarca, e uma das figuras mais influentes para a sobrevivência da psicanálise e de Sigmund Freud durante a Segunda Guerra Mundial, defensora da sexualidade feminina; Karen Horney, psicanalista alemã, que desafiou os pilares da teoria freudiana, tornando-se fundadora da psicanálise culturalista e uma das primeiras vozes do feminismo dentro da psicanálise questionando o falocentrismo; Eugénie Sokolnicka, psicanalista polonesa de extrema importância para a expansão da psicanálise na Europa, analisanda de Freud e Ferenczi, e analista de crianças; Melanie Klein, a mais influente psicanalista de crianças e desenvolvedora da técnica do brincar; Anna Freud, a filha predileta do criador da psicanálise, e responsável pela fundação da psicologia do ego, contribuindo para a psicanálise a partir do seu estudo sobre mecanismos de defesa e psicanálise pedagógica; Helene Deutsch, psicanalista polonesa, e reconhecidamente uma das precursoras da análise da psicologia feminina e dos estudos sobre psicose.
Seríamos injustos ao não abordar a criatividade de analistas húngaras, tais como, Alice Balint, pioneira dos estudos psicanalíticos da relação mãe-bebê, antecipando as contribuições da Escola Inglesa de Psicanálise e Vilma Kovács, uma das figuras mais proeminentes da Escola de Budapeste e presença determinante em um dos tripés da psicanálise – a supervisão.
Na Escola Inglesa, temos a presença registrada de Joan Riviere, uma das colaboradas mais próximas de Freud e Melanie Klein, no qual se destaca seu trabalho em defesa das mulheres intelectuais; Susan Isaac, influente psicanalista e psicóloga educacional; Marion Milner, psicanalista, educadora e artista britânica, pertencente ao grupo independente da Sociedade Britânica de Psicanálise; Margaret Little, também pertencente ao grupo independente e uma das principais teóricas da psicanálise sobre o conceito de contratransferência ao lado de Paula Heimann, que apesar de psicanalista alemã, se estabeleceu em Londres e trouxe uma série de contribuições sobre o enquadre clínico e a contratransferência.
A psicanálise na América Latina teve grandes nomes de representação na história da psicanálise, como a psicanalista argentina Marie Langer, austríaca e refugiada na Argentina, integrando o feminismo e o marxismo à psicanálise, focando na saúde mental das mulheres e na maternidade; Arminda Aberastury, psicanalista argentina, conhecida carinhosamente como “La Negra”, introdutora da psicanálise de crianças na América Latina, adotando algumas das técnicas de Melanie Klein à realidade do seu país; Madeleine Baranger, que apesar de francesa de nascimento, ficou radicada no Rio da Prata, destacando-se, junto com seu marido, com o conceito de campo analítico e “baluartes” (refúgio inconsciente), e ainda Silvia Bleichmar, uma das intelectuais e psicanalistas mais brilhantes e respeitadas na Argentina, responsável por conceitos tais como neogênese e narcisismo transmissivo, mas também trabalhando com a clínica de crianças e adolescentes, tendo desenvolvido algumas das contribuições do psicanalista francês Jean Laplanche.
Não podemos esquecer das pioneiras da psicanálise no Brasil, a exemplo da primeira psicanalista mulher negra, Virgínia Bicudo, cujo pioneirismo dedicado à psicanálise e às relações raciais foi fundamental para o discurso decolonial, contracolonial e póscolonial nos dias atuais. Ela foi uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo; Lélia Gonzalez, uma das maiores intelectuais do feminismo negro no Brasil, responsável pela introdução dos conceitos de Jacques Lacan na psicanálise brasileira, criando conceitos lapidares como o “pretuguês” e o “lacanismo negro”,
com o entroncamento fundamental entre psicanálise, feminismo e a experiência de ser mulher negra na diáspora; Sueli Carneiro, uma das maiores intelectuais, filósofas e ativistas brasileiras, cujo pensamento atravessa o campo psicanalítico juntamente com a sociologia para explicar o racismo, tendo os conceitos “epistemicídio” e “enclausuramento psíquico” como diálogo com a psicanálise crítica; Neusa Santos Souza, psicanalista, psiquiatra e escritora brasileira, cujas obras foram fundamentais para entender as questões e o impacto do racismo na saúde mental da população negra, trazendo para o centro do debate contemporâneo a questão da psicanálise e a raça; Cida Bento, com sua análise crítica do narcisismo da branquitude e o pacto da exclusão; e finalmente, mas não última, Isildinha Nogueira Baptista, psicanalista bastante atuante na psicanálise contemporânea, cujas ideias sobre o inconsciente negro circula nos principais textos psicanalíticos explorando o significado do corpo negro em relação ao narcisismo e à raça.
Certamente, não estão contempladas aqui nominalmente inúmeras outras psicanalistas europeias, latino-americanas e brasileiras, o que nominá-las nessa apresentação seria um trabalho justo, porém digna de uma amazona.
Convocamos a comunidade acadêmica e psicanalítica a apresentar seus trabalhos sobre estas e outras mulheres que construíram o pensamento psicanalítico, como uma reparação ao pioneirismo de todas as mulheres que fazem parte da história da psicanálise.
O II Encontro Brasileiro Nebulosa Marginal ocorrerá nos dias 10, 11 e 12 de setembro de 2026 na cidade de São Paulo, na UNIP – Paraíso. Serão três dias de debates e apresentação de trabalhos de alunos de graduação, pós-graduação ou profissionais interessados em apresentar seus textos acerca da importância das mulheres na Psicanálise. Teremos 5 salas simultâneas no 1° dia com a apresentação de trabalhos. Dessa maneira, vamos colocar as mulheres de volta ao eixo da teoria psicanalítica no Brasil e no mundo. No segundo e terceiro dia, teremos mesas redondas e conferências com psicanalistas e pesquisadores da área da psicanálise em torno do tema. Além disso, teremos uma programação cultural com um Pocket Show da Cantora Patrícia Marx, além de uma peça de teatro com a temática do feminino. Teremos também a exposição de livros acadêmicos e da área da psicologia e da psicanálise.
VAGAS AFIRMATIVAS – O Instituto Nebulosa Marginal ofertará 25 vagas afirmativas que serão direcionadas pela comissão organizadora do evento para pessoas que não possam arcar com a despesa da inscrição. Para solicitar a sua inscrição afirmativa, por favor, envie um e-mail para: mulheres@nebulosamarginal.com.br explicando a sua necessidade e informando seus dados (nome completo, CPF, e-mail, telefone e endereço). Dessa maneira, a comissão organizadora irá deliberar por e-mail o deferimento de sua vaga.
Local do evento: UNIP campus Paraíso.
Adriana Ribeiro – Psicanalista VER PERFIL
Cássia Viude – Psicanalista VER PERFIL
Edna Mônica- Psicanalista VER PERFIL
Lisiane Cohen – Psicanalista e Cineasta
Sonnylena Sonnemaker – Psicanalista VER PERFIL
Copyright © 2026 Instituto Nebulosa Marginal – Todos os Direitos Reservados
Av. Paulista, 326 – Conjunto 103 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01310-000
E-mail: mulheres@nebulosamarginal.com.br / secretaria@nebulosamarginal.com.br
Fone: +55 (11) 5026-7748